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domingo, 27 de julho de 2025

✓ A Feia e o Furado / # 5 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

De volta à estrada, rumo ao mar. A paisagem segue horizontal, até parece querer sustentar a ilusão de que a Terra é plana...
À volta, o que se vê é, basicamente, capim ralo, a típica vegetação de restinga. Em poucos trechos aparecem, ainda, plantações de cana de açúcar. Acabou a euforia de outros tempos, mas não surgiram muitas alternativas de produção agrícola...
 
Ao longe, um trecho da Lagoa Feia. À margem, terrenos à venda.
A estrada contorna pelo sul a Lagoa Feia, da qual se vê apenas a linha d'água no horizonte. Ali, ao que parece, a especulação imobiliária não é tão dinâmica assim...
Chega-se ao mar e começam a aparecer pequenos balneários, casas à beira da estrada. E, do outro lado, larguíssimas praias. 
 
Do nada, um cais (ou ponte) adentra o mar.
Um longo cais (ou ponte) de acesso faz a ligação entre o continente e o oceano: para uso dos turistas ou uma guia para oleoduto vindo de alguma plataforma da Bacia de Campos?
Enfim, num lugarejo pequeno, tem-se o encontro com o Canal das Flechas e, na ponta, com a Barra do Furado. Este é o caminho principal de saída das águas da Lagoa Feia. No século XIX, aí funcionou um porto clandestino onde traficantes, a serviço dos fazendeiros, desembarcavam escravizados, negros trazidos da África, até muito depois do suposto fim do tráfico. 
 
Na Barra do Furado, pelo Canal das Flechas, uma traineira volta do mar.
O mar, apesar do tempo fechado e das chuvas da véspera, mantinha-se calmo. A traineira entrava com seus peixes pela Barra do Furado na direção do pequeno porto no Canal das Flechas, ainda perto da foz.
Saindo dali, seguimos pela estrada que acompanha por alguns quilômetros o canal, até chegar à ponte que o atravessa. 
 
O tradicional estilo rural das casas da região.
A paisagem continua igual. Casas antigas de pequenos sítios se repetem, quase iguais também, com colunas e varandão. 
Uma das derradeiras plantações de cana de açúcar da Baixada Campista.
E o pouco que se vê de plantação é, mais uma vez, a já mais do que histórica cana de açúcar...

domingo, 20 de julho de 2025

✓ Quissamã, a nobreza em casa / # 3 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

A cidade de Quissamã é uma gracinha, caso a atenção do turista se volte apenas para as belas construções dos áureos tempos da produção de açúcar na Baixada Campista.
 
Museu Casa Quissamã, antiga residência do Conde de Araruama

Prédios que eram residências de famílias de altas posses, os fazendeiros de então. Hoje, são ocupadas por órgãos públicos, e um bom exemplo é a sede da prefeitura. 
 
Prefeitura de Quissamã. Construído para escola dos descendentes do Visconde de Araruama, prédio inaugurado em 1870. Em 1903, se tornou o Convento Nossa Senhora dos Anjos. Desde 1991 passou a ser o Centro Administrativo Municipal de Quissamã.

Parece estar havendo um bom trabalho de manutenção, talvez pela compreensão de que este acervo pode tornar a cidade novamente valiosa.
 
Centro Cultural Sobradinho. Abriga também a Biblioteca Pública Municipal de Quissamã, o Cine Quissamã, o Café da Romana e uma réplica da antiga Estação Ferroviária (à esq.).

E quem sabe, com isso, melhorar as condições de vida do povo que vive nas casas pobres que se espalham em torno do centro antigo da cidade...

✓ Quissamã bem chegada / # 2 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

A chuva continuava sendo a companhia mais constante da viagem. E quando saímos da BR-101, pegando o rumo de Quissamã, atravessando aquela planície enorme, que é a Baixada Campista, não se via quase nada, só a chuva.

Ao longe os sinais de antigas fazendas, as palmeiras em fila dupla, até que vem a surpresa de uma linha de trem das antigas e, no cruzamento com a estrada, o espanto de uma estação ferroviária belamente reconstruída!
 
Uma das estações ferroviárias mais bem recuperadas que vi, e praticamente no meio do nada...

O nome do lugar é homenagem a um dos homens poderosos desta região nos tempos do 2o. Império, o Conde de Araruama. 
 
E logo depois, como já é típico das cidades pequenas do Brasil, o portal de entrada da cidade de Quissamã. Para manter o espírito do tempo, também ele com referências à arquitetura daqueles tempos.
 
Referências imperiais no portal de Quissamã.

Só que o tempo passou, não se tem mais toda aquela riqueza de antanho.... No geral, a cidade é agora muito simples, mas ainda há várias outras marcas do passado, que podem ser (e até já são) a base para um valioso turismo histórico.