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domingo, 27 de julho de 2025

✓ Atafona: o fim da terra / # 7 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 2 (03/07/2025)

O segundo dia de viagem na rota do litoral começa com uma grande (mas cruel) atração: a destruição progressiva do Pontal de Atafona.
No caminho, na Avenida Atlântica de São João da Barra, o espanto do viajante diante da largura da praia: o banhista ganhou passarelas para chegar ao mar! 
 
Porém, poucos quarteirões adiante a cena começa a mudar... O mar passa a acumular a areia em dunas, e elas vão ocupando as ruas. Mas, o governo age: máquinas tentam garantir a passagem dos carros. 
 
Só que depois piora: o mar deixa lá a areia estacionada e avança firme (!) sobre a terra firme (?). O mar desconhece limites urbanos, vai comendo a cidade...

Há várias causas possíveis: diminuição do volume das águas do Paraíba do Sul, viradas nas correntes e ventos atlânticos, mudanças climáticas gerais, aquecimento global. 

Quem colocou seu futuro ali, seja pescador, veranista ou aposentado, certamente não podia adivinhar. Só que agora tem que se virar, se mudar ou afundar... 
 

Imagine para quem vivia ali há muitos anos, curtindo a praia, o encontro do rio com o mar, vendo agora o seu lar, o seu sossego, levar pancadas das ondas, apanhar das ressacas, afundar no oceano?
 

Para quem chega de passagem, o turista, o curioso, a cena é chocante!
E quando vai embora, forçado ou espantado, leva a imagem do estrago. 
 

Se tem um mínimo de noção, vai se preocupar: "para mim, quando a destruição vai chegar?"

✓ O Waze corta a "wave" / # 6 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

A proposta era viajar cerca de 350 km por dia, com muita calma, fazendo algumas paradas para observar detalhes, e chegar ao pernoite ainda com luz do dia (que no inverno é mais curto, até pouco depois das 17 horas). Este primeiro dia foi prejudicado por um atraso de manhã, de quase três horas, causados pela chuva forte e bloqueios por acidentes na BR-101.
O que se pretendia era seguir pelo litoral, passando pelo farol de São Tomé e tentar ver o Porto do Açu, até chegar a São João da Barra, lá na foz do Paraíba do Sul.
Entramos nesse último trecho quase às 16h, e aí começa o grande embate entre as tecnologias de localização e deslocamento agora disponíveis, Google e Waze. O planejamento foi feito usando o Google Maps, observando inclusive com o Google Street as condições das estradas (e é impressionante ver como já circulou por praticamente todas as ruas e estradas do país). Mas, na viagem usava-se o Waze, programando nele a rota entre o início e o fim do dia (para evitar perda de sinal de Internet no caminho). E o Waze se mostrou apaixonado pelo asfalto (parece que tem medo de estrada de terra...), preferindo as BRs, ao buscar o caminho mais rápido, em vez das estradas estaduais. Muito prático, mas, totalmente fora da filosofia da viagem, me “cortou a onda”...
Com o desvio forçado, perdemos o farol de São Tomé e o Porto do Açu...
(Ah, que saudade dos grandes mapas dobráveis que a Esso, hoje Exxon, distribuía nos postos de estrada nos tempos em que eu, pré-adolescente, viajava com meus irmãos caminhoneiros)...
Aí, perdemos a estradinha de acesso à comporta pela qual se faz a travessia do Canal das Flechas. E, com o adiantado da hora, o jeito foi aceitar o prejuízo da perda da rota pelo litoral. Restou a esperança de uma chance de voltar à região, que deve se tornar importante polo econômico com a ferrovia planejada para ligar o Porto do Açu às áreas de mineração de Minas Gerais. Quando? Um dia...

Daí, o Waze nos levou (incluindo algumas estradas de terra...) até a periferia de Campos dos Goytacazes, de onde pegamos a estrada para São João da Barra. Talvez mais rápido, mas muito mais desgastante, um trânsito pesado (e meio enlouquecido), que exigiu tanta atenção que ficou sem foto de registro.
 
O vazio, fora da temporada, hotel de veraneio.
Antes de São João da Barra, no distrito da Praia de Grussaí, ficamos numa pousada de veraneio, a Dom Quixote. Ainda bem que a preço acessível, que nesta época de inverno só hospeda alguns funcionários de empresas que atuam no Porto do Açu. 
Um peixe bem acompanhado para forrar a pança e reanimar a viagem...
Numa pesquisa meio virtual meio visual, fomos abastecer o estômago em um vazio restaurante em estilo “riponga”, o Transa Louca. Nós demos bem: o peixe assado (repare na travessa) foi tão bem servido que quase esquecemos que o dia inteiro foi à base de biscoitinhos...