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sábado, 13 de setembro de 2025

✓ Voltando, do Paraíba do Sul à Região Serrana / # 17 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 7 (08/07/2025)

A volta de uma viagem é sempre mais rápida do que a ida. Eu mesmo já comprovei e parece que há altas psicologias nisso aí... Mas, não quando se volta por outro caminho: aí, é como se fosse mais uma ida... 
O pavilhão principal da extinta Usina Pureza.
 
Desta vez a proposta da volta era passar, de passagem, por cidades cujos nomes habitavam há muito minha ilusória esperança de conhecer todo o estado do Rio de Janeiro...
Parte do casario dos trabalhadores da extinta Usina Pureza.

 
Saindo de São Fidélis, logo conferimos duas imperdíveis dicas de locais: a antiga usina Pureza e a adega de cachaças Yrapuru, em Cambuci, a "Cidade Simpatia", e para confirmar isto nem precisa tomar umas cachaças....
Os tonéis da Cachaçaria Yrapuru, atração de Cambuci.

 
Usina Pureza é uma espécie de realista monumento ao passado das plantações de açúcar do Norte Fluminense. Agora, supostamente em processo de se tornar um centro cultural, nos pareceu, apesar disso, um local em relativo abandono. 
 
Sobrado típico da região, numa esquina de Cambuci.
O que havia de mais vida ali não estava no portentoso prédio principal, mas ainda está nas casas dos antigos colonos (ou funcionários), reminiscências (ou talvez reprodução, ou manutenção) das antecedentes senzalas das fazendas imperiais. 

 
A pirâmide da Maçonaria na entrada de Itaocara.
Já a Cachaçaria Yrapuru é um esforçado negócio, vindo de algumas gerações, baseada sempre na cana de açúcar, que não sumiu de todo da região. Os toneis de carvalho importados impressionam e o produto tem boa apresentação. Pena que, dirigindo, não pude provar nada na hora, mas trouxe amostras pra casa, elas que me aguardem...
Euclidelândia (Cantagalo), terra de Euclides da Cunha.

 
Daí, viemos para Itaocara, com um desvio acelerado de ida e volta até Aperibé. 
 
Cantagalo se autodenomina a "capital do calcário"...
Sugestivos nomes, mas pouco fotogênicas cidades, e de aparência conservadora, tanto geográfica quanto politicamente... 
 
... como "informa" um "letreiro" na entrada da cidade.
Após Batatal, distrito de Itaocara, deixamos a margem direita do Paraíba do Sul, cambando para a Região Serrana do RJ, no rumo de Nova Friburgo, próximo pernoite programado.
 
Cordeiro, bem casual, no atacado & no varejo.
E nos adaptando às opções de rota viemos “conhecendo”, de enfiada, distritos e cidades, Euclidelândia, Cantagalo (“capital do calcário”), Cordeiro.
 
Ocupação dos morros, chegando a Nova Friburgo.
E viemos pegando uma imagem aqui outra ali, quase no susto, a maioria de dentro do carro mesmo.
 

 
A super iluminada prefeitura de Nova Friburgo.
Fim de tarde, atravessando Monnerat, Bom Jardim e Banquete. 

 
O lanche da noite na padaria da praça redonda.
Seguimos até adentrar Nova Friburgo, com seus subúrbios escarpados e seus amplos bulevares.
 

 
Ao encontrar o hotel, já era noite, um roteiro de poucas horas desenvolvido durante um dia inteiro... 
 
Mas, ainda deu tempo de dar um pequeno rolé pelo Centro, passar por umas lojas e a Prefeitura.

 
E, finalmente, recompensar o estômago, pela demora, numa simpática padaria de uma redonda praça central.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

✓ Um estirão: da costa à serra / # 9 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 2 (03/07/2025)

 Saindo do Estado do Rio no rumo das Serras Capixabas pela rota das praias, a ideia era encarar um estirão: seguir até Marataízes, para embicar vale do Rio Itapemirim acima.

Do lado RJ da divisa com o Espírito Santo, barcos no Rio Itabapoana.
Vindo do porto da Barra, cruzando o Itabapoana, via-se que o litoral do Espírito Santo era uma continuidade. 
 
Caminhões carregados de cana de açúcar continuam frequentes na região.
Até mesmo pela presença da plantações de cana de açúcar, ainda que esparsas, sempre enchendo até o teto os caminhões.
 
A (meio escondida) falésia no litoral de Marataízes.
Nesse trecho, a atração eram as falésias. Existem também em Guaxindiba, ainda no RJ, só que menores, não chegamos a ver... Nesse trecho do município de Marataízes, elas são bem destacadas. Pena que, sem poder descer à praia, o único ponto de parada no acostamento resultava numa foto visualmente poluída por postes e fios...
Marataízes no inverno e com chuva parece um deserto à beira-mar.
Esperando desanimada a volta do verão, Marataízes parecia uma cidade fantasma, a foto da Praia Central praticamente resume a situação...
 
Só não deu pra saber a que se refere o monumento...
Tomando o rumo das serras, o reencontro com a chuva (de que fomos poupados no litoral), em Safra, local do cruzamento com a BR-101, onde ficou evidente o grande movimento de caminhões. 
 
Com chuva, a confusa travessia por Cachoeiro de Itapemirim.
Continuando a subida pelo vale, a travessia de Cachoeiro de Itapemirim, com seus ares de cidade grande e, mais uma vez induzido pelo Waze, o desvio (para meu desgosto) por fora da cidade de Castelo (terra de parentes)
 
Blocos de mármore, carga muito comum na região.
Agora, o rei da estrada era o caminhão com enormes pedras de mármore ou granito, que a sua extração é a grande atividade econômica da região.

domingo, 27 de julho de 2025

✓ A Feia e o Furado / # 5 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

De volta à estrada, rumo ao mar. A paisagem segue horizontal, até parece querer sustentar a ilusão de que a Terra é plana...
À volta, o que se vê é, basicamente, capim ralo, a típica vegetação de restinga. Em poucos trechos aparecem, ainda, plantações de cana de açúcar. Acabou a euforia de outros tempos, mas não surgiram muitas alternativas de produção agrícola...
 
Ao longe, um trecho da Lagoa Feia. À margem, terrenos à venda.
A estrada contorna pelo sul a Lagoa Feia, da qual se vê apenas a linha d'água no horizonte. Ali, ao que parece, a especulação imobiliária não é tão dinâmica assim...
Chega-se ao mar e começam a aparecer pequenos balneários, casas à beira da estrada. E, do outro lado, larguíssimas praias. 
 
Do nada, um cais (ou ponte) adentra o mar.
Um longo cais (ou ponte) de acesso faz a ligação entre o continente e o oceano: para uso dos turistas ou uma guia para oleoduto vindo de alguma plataforma da Bacia de Campos?
Enfim, num lugarejo pequeno, tem-se o encontro com o Canal das Flechas e, na ponta, com a Barra do Furado. Este é o caminho principal de saída das águas da Lagoa Feia. No século XIX, aí funcionou um porto clandestino onde traficantes, a serviço dos fazendeiros, desembarcavam escravizados, negros trazidos da África, até muito depois do suposto fim do tráfico. 
 
Na Barra do Furado, pelo Canal das Flechas, uma traineira volta do mar.
O mar, apesar do tempo fechado e das chuvas da véspera, mantinha-se calmo. A traineira entrava com seus peixes pela Barra do Furado na direção do pequeno porto no Canal das Flechas, ainda perto da foz.
Saindo dali, seguimos pela estrada que acompanha por alguns quilômetros o canal, até chegar à ponte que o atravessa. 
 
O tradicional estilo rural das casas da região.
A paisagem continua igual. Casas antigas de pequenos sítios se repetem, quase iguais também, com colunas e varandão. 
Uma das derradeiras plantações de cana de açúcar da Baixada Campista.
E o pouco que se vê de plantação é, mais uma vez, a já mais do que histórica cana de açúcar...

sábado, 26 de julho de 2025

✓ Quissamã, escrava da História / # 4 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

Quissamã fazia parte do grande complexo agrário produtor de cana de açúcar instalado, desde a época da Colônia, na região de Campos dos Goytacazes. Na época, só foi possível com a importação maciça de pessoas escravizadas, trazidas da África pelos portugueses.


As lembranças estão por toda parte, a começar pelo povo que se vê na rua. Para os turistas há dois destaques: o canal Campos-Macaé e o baobá. 


O canal é obra do império, D. Pedro II chegou a visitá-lo, e a ideia era transportar a produção de açúcar da região para o porto seguro de Macaé, pois o transporte pelo Paraíba do Sul direto ao oceano era tarefa muito perigosa. 

O canal Campos-Macaé foi construído entre 1844 e 1961, evidentemente com mão de obra de africanos escravizados. Com 15 metros de largura e 106 km de extensão, foi o segundo canal artificial mais longo do mundo (Suez, 163 km; Panamá, 82 km). Partes estão aterradas, em Quissamã está cheio de aguapés (gigoga), mas ainda há trechos utilizáveis.

O baobá é um verdadeiro monumento natural!... Um dos poucos no Brasil, a sua semente teria sido trazida escondida em um "navio negreiro". 



As palmeiras imperiais servem de contraponto e de referência para volume e altura do baobá de Quissamã. Teria sido plantado, por volta de 1863, na antiga sede da Fazenda do Visconde de Araruama, patriarca da família Carneiro da Silva, proprietária de várias outras fazendas na região.

Hoje o baobá é a atração principal do Museu Casa Quissamã, centro cultural, instalado nesta antiga sede de fazenda.

O baobá de Quissamã é o maior dos três existentes no estado do RJ (outros, no Rio, no Jardim Botânico e na Ilha de Paquetá). A muda do baobá teria sido trazida por escravos desembarcados clandestinamente em Barra do Furado, no canal de acesso à Lagoa Feia. Para saber mais sobre este e outros baobás brasileiros, o texto O baobá de Quissamã, de Romildo Guerrante.

O próprio nome da cidade seria referência a escravizados da região de Kissama, em Angola. 

 

A importância desses trabalhadores forçados foi tão grande que recebe a justa homenagem de um monumento junto ao canal.

Monumento em memória dos escravos que trabalharam na construção do Canal Campos-Macaé, localizado à sua margem. A placa, no entanto, lembra a história do negro que, encontrado vivendo entre os índios pelos novos donatários das terras da região, em 1634, se disse escravo forro (alforriado, liberto). Ele lhes teria dito que era da nação Kissama, de Angola, dando origem ao nome da cidade.