Mostrando postagens com marcador Quissamã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quissamã. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de julho de 2025

✓ Quissamã, escrava da História / # 4 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

Quissamã fazia parte do grande complexo agrário produtor de cana de açúcar instalado, desde a época da Colônia, na região de Campos dos Goytacazes. Na época, só foi possível com a importação maciça de pessoas escravizadas, trazidas da África pelos portugueses.


As lembranças estão por toda parte, a começar pelo povo que se vê na rua. Para os turistas há dois destaques: o canal Campos-Macaé e o baobá. 


O canal é obra do império, D. Pedro II chegou a visitá-lo, e a ideia era transportar a produção de açúcar da região para o porto seguro de Macaé, pois o transporte pelo Paraíba do Sul direto ao oceano era tarefa muito perigosa. 

O canal Campos-Macaé foi construído entre 1844 e 1961, evidentemente com mão de obra de africanos escravizados. Com 15 metros de largura e 106 km de extensão, foi o segundo canal artificial mais longo do mundo (Suez, 163 km; Panamá, 82 km). Partes estão aterradas, em Quissamã está cheio de aguapés (gigoga), mas ainda há trechos utilizáveis.

O baobá é um verdadeiro monumento natural!... Um dos poucos no Brasil, a sua semente teria sido trazida escondida em um "navio negreiro". 



As palmeiras imperiais servem de contraponto e de referência para volume e altura do baobá de Quissamã. Teria sido plantado, por volta de 1863, na antiga sede da Fazenda do Visconde de Araruama, patriarca da família Carneiro da Silva, proprietária de várias outras fazendas na região.

Hoje o baobá é a atração principal do Museu Casa Quissamã, centro cultural, instalado nesta antiga sede de fazenda.

O baobá de Quissamã é o maior dos três existentes no estado do RJ (outros, no Rio, no Jardim Botânico e na Ilha de Paquetá). A muda do baobá teria sido trazida por escravos desembarcados clandestinamente em Barra do Furado, no canal de acesso à Lagoa Feia. Para saber mais sobre este e outros baobás brasileiros, o texto O baobá de Quissamã, de Romildo Guerrante.

O próprio nome da cidade seria referência a escravizados da região de Kissama, em Angola. 

 

A importância desses trabalhadores forçados foi tão grande que recebe a justa homenagem de um monumento junto ao canal.

Monumento em memória dos escravos que trabalharam na construção do Canal Campos-Macaé, localizado à sua margem. A placa, no entanto, lembra a história do negro que, encontrado vivendo entre os índios pelos novos donatários das terras da região, em 1634, se disse escravo forro (alforriado, liberto). Ele lhes teria dito que era da nação Kissama, de Angola, dando origem ao nome da cidade. 


 

domingo, 20 de julho de 2025

✓ Quissamã, a nobreza em casa / # 3 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

A cidade de Quissamã é uma gracinha, caso a atenção do turista se volte apenas para as belas construções dos áureos tempos da produção de açúcar na Baixada Campista.
 
Museu Casa Quissamã, antiga residência do Conde de Araruama

Prédios que eram residências de famílias de altas posses, os fazendeiros de então. Hoje, são ocupadas por órgãos públicos, e um bom exemplo é a sede da prefeitura. 
 
Prefeitura de Quissamã. Construído para escola dos descendentes do Visconde de Araruama, prédio inaugurado em 1870. Em 1903, se tornou o Convento Nossa Senhora dos Anjos. Desde 1991 passou a ser o Centro Administrativo Municipal de Quissamã.

Parece estar havendo um bom trabalho de manutenção, talvez pela compreensão de que este acervo pode tornar a cidade novamente valiosa.
 
Centro Cultural Sobradinho. Abriga também a Biblioteca Pública Municipal de Quissamã, o Cine Quissamã, o Café da Romana e uma réplica da antiga Estação Ferroviária (à esq.).

E quem sabe, com isso, melhorar as condições de vida do povo que vive nas casas pobres que se espalham em torno do centro antigo da cidade...

✓ Quissamã bem chegada / # 2 - Mar, Serra e Rio (RJ/ES): dia 1 (02/07/2025)

A chuva continuava sendo a companhia mais constante da viagem. E quando saímos da BR-101, pegando o rumo de Quissamã, atravessando aquela planície enorme, que é a Baixada Campista, não se via quase nada, só a chuva.

Ao longe os sinais de antigas fazendas, as palmeiras em fila dupla, até que vem a surpresa de uma linha de trem das antigas e, no cruzamento com a estrada, o espanto de uma estação ferroviária belamente reconstruída!
 
Uma das estações ferroviárias mais bem recuperadas que vi, e praticamente no meio do nada...

O nome do lugar é homenagem a um dos homens poderosos desta região nos tempos do 2o. Império, o Conde de Araruama. 
 
E logo depois, como já é típico das cidades pequenas do Brasil, o portal de entrada da cidade de Quissamã. Para manter o espírito do tempo, também ele com referências à arquitetura daqueles tempos.
 
Referências imperiais no portal de Quissamã.

Só que o tempo passou, não se tem mais toda aquela riqueza de antanho.... No geral, a cidade é agora muito simples, mas ainda há várias outras marcas do passado, que podem ser (e até já são) a base para um valioso turismo histórico.